O GRANDE PANTANAL

(uma visão de Joaquim Coelho)
Vivenciamos uma experiência neste grande Pantanal, deparando-nos nós com as dificuldades inerentes a qualquer pântano. Atolamos de quando em quando ou simplesmente caminhamos sem direção, na maioria das vezes.
 
Por não sabermos que sentido tomar, ou sequer se há um sentido, criamos os nossos próprios destinos pois não sabemos fazer nada que não tenha um propósito, um objetivo a atingir. Criamos então os nossos objetivos materiais, físicos, mentais ou espirituais com base no nosso conhecimento e entendimento.
 
Isso não é condicionamento, é falta de conhecimento puro, e por isso, seguimos indicações de faroleiros que, tal como nós, possuem pouco conhecimento, mas que são portadores de um ego gigante que os leva a crer serem faroleiros e que podem ajudar a si e aos outros, ou simplesmente tirar partido do desconhecimento dos outros e serem vistos como faroleiros credíveis e sérios. É isso que procuram mostrar.
 
Na maioria dos PANTANAIS existentes neste GRANDE PANTANAL, existe pelo menos um FAROL para nos ajudar, para nos guiar por este caminho pantanoso: é manuseado por FAROLEIROS invisíveis que não pretendem mostrar-se acima dos caminhantes, mostram-se lado a lado, até na linguagem utilizada. Acima apenas está o FAROL, a LUZ acesa do FAROL, que varre toda a área contaminada e perigosa.
 
Estes verdadeiros faroleiros não favorecem ninguém em particular, favorecem o Todo. Não escolhem ninguém do grupo que caminha no Pantanal, não estão aqui para ajudar, mas sim para servir, por isso estão lá, sabemos onde estão, não precisamos procurar muito para os encontrar. Se estivessem para ajudar andariam atrás dos que, entenderiam eles, estivessem perdidos e fazendo com que, os que merecessem ser guiados os não encontrassem.
 
Um FAROL não existe para indicar um caminho, nenhum farol aponta o caminho a seguir, um FAROL existe para nos alertar, para nos indicar que caminho não seguir: quando o Faroleiro acende a Luz do Farol, está a indicar aos navegantes que não devem seguir por ali.
 
Se teimarmos em contrariar a indicação iremos embater nas ROCHAS, nos OBSTÁCULOS e afundar o navio que tanto devemos estimar, a escolha foi nossa, estávamos avisados.
 
O Farol não nos indica o caminho a seguir, podemos escolher qualquer caminho diferente daquele onde está o Farol, sem nos afundarmos. Claro que apenas um desses possíveis caminhos é o mais indicado, o mais fácil, mas, dependendo dos nossos objetivos, dos nossos critérios pessoais e sociais, das nossas vontades e do nosso discernimento, assim escolheremos o CAMINHO a seguir.
Todos são caminhos, menos aquele indicado pelo FAROL. Esta é a sua função, PROTEGER – ALERTAR para os perigos eminentes.
 
Neste Grande Pantanal, que conhecemos por PLANETA TERRA, tenho o merecimento de viver num Pântano (CIDADE) onde existe um FAROL a que chamam Escola Mística do Forte da Casa e onde tenho a referência de dezenas de FAROLEIROS (invisíveis) que me vão indicando o caminho que não devo seguir, mas com a certeza de que a escolha é sempre minha, sou eu quem decide.
 
E muitas vezes acontece que, não basta o farol estar aceso para me alertar dos perigos daquele percurso, teimo em ser CEGO, o Ego fala mais alto, a sua luz ofusca-me, substituindo assim o Farol nas minhas escolhas, iludindo-me.
 
Por vezes é necessário que o Faroleiro incida as LUZES do FAROL bem de frente aos meus olhos, outras vezes necessito que o Faroleiro VARRA de ponta a ponta, de um lado ao outro a escuridão que me envolve, “magoando” a “luz” do meu EGO, e assim eu possa desviar o percurso, SALVANDO-ME a mim, este espírito que vos escreve este pensamento, e ao meu NAVIO, este corpo onde habito, para esta viagem ilusória neste Plano, nesta caminhada, nesta jornada que faço na vossa companhia, lado a lado.
 
Joaquim Coelho

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